Cultura
Bandeira do Divino
A Festa do Divino Espírito Santo celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e a Virgem Maria, marcando o nascimento da Igreja. É realizada sete semanas depois do Domingo de Páscoa, no dia de Pentecostes.
Consiste numa peregrinação religiosa com cantores que saem pelas ruas da cidade para apresentarem a bandeira vermelha com a imagem do Divino Espírito Santo, representada por uma pomba. A folia do Divino percorre o município, pedindo prendas para a festa.
A tradição em Laguna foi introduzida pelos primeiros açorianos colonizadores, vindos de Portugal. A festividade é tradicionalmente feita todos o anos em comunidades do município, sendo mais relevante na Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, localizada nos bairros Magalhães e Navegantes.
A origem da Festa do Divino se encontra em Portugal do século 14, com uma celebração estabelecida pela rainha Isabel (1271-1336) por ocasião da construção da igreja do Espírito Santo, na cidade de Alenquer.
Cantoria Terno de Reis
É uma manifestação religiosa herdada pelos açorianos, baseada na passagem bíblica em que Jesus foi visitado pelos três reis magos, Melchior, Baltazar e Gaspar, na época do seu nascimento.
Nas noites que seguem desde a véspera de Natal, dia 24, até o dia 6 de janeiro, período do ciclo das cantorias de Terno de Reis, é possível ouvir grupos com gaita, violão, pandeiro e outros instrumentos visitando as casas de parentes ou amigos levando uma mensagem divina.
Boi de mamão
Comum nas cidades litorâneas de Santa Catarina, tem origem nas brincadeiras com o boi feitas nos Açores. O primeiro registro no estado é datado de 1840.
No boi-de-mamão o argumento fundamental é a ressurreição. O folguedo envolve dança e cantoria em torno do tema épico da morte e ressurreição do boi.
Antigamente, a brincadeira era conhecida como "Boi de Pano", mas com a pressa de fazê-lo, acabaram utilizando um mamão verde para fazer a cabeça do boi.
Entre as figuras que aparecem no boi-de-mamão estão: o boi, o proprietário do boi, a bernuncia e seu filhote, a maricota, o doutor, a viúva, o cavalinho, os outros bois, os corvos, podendo faltar algumas delas.
O enredo envolve o boi de estimação de Mateus, no qual come algo que lhe faz mal e acaba morrendo. Desesperado, Mateus busca ajuda do médico e curandeiro para ressuscitá-lo. O boi ressuscita, e toda a freguesia festeja.
Na representação desta manifestação folclórica, que habita a imaginação infantil, a personagem bernuncia engole crianças.
Os personagens são confeccionados com pano, esponja, papel maché, arame, madeira e materiais diversos.
Apresenta elementos comuns com o bumba-meu-boi nordestino.
Colonização Açoriana
As primeiras famílias açorianas chegaram à Laguna em meados de 1749, sendo que logo após outros colonizadores foram se instalando por esta região e também em outros locais do litoral catarinense. Junto com eles vieram os costumes que aos poucos foram se incorporando nas novas terras. Foram estes colonizadores que trouxeram para cá o trigo, o açúcar, o feijão, o linho e o cânhamo, e criaram também os engenhos de cana e farinha movidos por animais. Estes engenhos ainda podem ser encontrados no interior da cidade. Outros segmentos trazidos pelos colonizadores foram o comércio de peixe seco, a agricultura, a navegação e a pesca. As mulheres trouxeram com eles a tradição da Renda de Bilro e as Festas Religiosas, como a festa do Divino Espírito Santo, que iniciava-se na páscoa e terminava em Pentecostes. Estes e outros mais são alguns costumes que o povo lagunense herdou dos seus antepassados açorianos
Dança Pau-de-Fitas
A dança de fitas é uma tradição milenar, que comemora o renascimento da árvore. Nos Açores é chamada de dança do Cadarço.
Fazem um pau-de-fita, cujo mastro é sustentado no centro da dança por uma pessoa. Da ponta do mastro saem pares de fitas que são seguradas por oito ou doze pessoas, para começar a dança.
Durante o movimento em zigue-zague em torno do mastro central, as fitas vão sendo trançadas. Faz-se depois o movimento contrario, destrançando as fitas. A música que acompanha é, em geral, tocada por sanfona, violões e pandeiros.
Aqui em Santa Catarina, antes da dança de fitas, é apresentada a dança da jardineira, em que pessoas carregam no ar arcos enfeitados com flores.
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