História

Os Sambaquis

A história de Laguna começou há seis mil anos com os primeiros registros de comunidades pré-históricas, os sambaquieiros, povo pescador-coletor, eram nômades e habitavam o litoral. A palavra sambaqui, significa (monte de conchas, na língua indígena) eram elevações compostas de conchas, ossos, restos de fogueiras e artefatos, alguns com 35 metros de altura.

De acordo com estudos realizados pelo geólogo Padre Alfredo Rohr, feitos com o carbono 14, os sambaquis são datados de mais de 5 mil anos, mais antigos que as Pirâmides do Egito. Até o início do século passado, o Sambaqui da Carniça, hoje Campos Verdes, em Laguna, era o maior do mundo por seu tamanho, conhecido como - elefante branco. Após décadas, os sambaquis foram sendo depredados e explorados pelas empresas na cobertura de estradas.

O povo dos sambaquis, de acordo com estudos, teve contato com os índios xoklengs e carijós vindos do oeste, e absorveu a cultura de outras tribos. Os índios se adaptaram a região devido à proximidade com a lagoa, uma fonte de alimentos.

De acordo com levantamento do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) o município conta com 43 sítios arqueológicos, de artefatos do povo sambaqui e dos guaranis.

ANA MARIA DE JESUS RIBEIRO

Quem não ouviu falar de Anita Garibaldi, a heroína da Guerra Farroupilha e da Unificação da Itália?

Pois bem, em 30 de agosto de 1821, nascia Ana Maria de Jesus Ribeiro, na vila de Laguna, Santa Catarina.

Desde pequena, de forte personalidade, já mostrava que aquela menina açoriana não era igual as moças da época. Aninha não gostava dos serviços domésticos, gostava de cuidar dos animais junto de seu pai e cavalgar pelas praias de Laguna.

Era avessa às convenções, fazia o que tinha vontade, sem se importar com os “falatórios”. Mas, aos quatorze anos viu-se obrigada a casar-se com um homem escolhido por sua mãe.

Enquanto a Europa eclodia nos movimentos nacionalistas, nos ideais de democracia e igualdade, surge um italiano que sabia do ofício de navegar . Giuseppe Garibaldi liderava o movimento pela Unificação da Itália.

No Brasil, assim como na Itália, também surgia um movimento contra o Império, nas terras localizadas no Rio Grande do Sul. Descontentes com os desmandos do Reinado, os fazendeiros e a população se vêem diante de uma crise econômica gerada pelos altos impostos.

Os Farroupilhas, como eram conhecidos, travaram muitas batalhas pelas terras brasileiras e chegaram à Vila de Laguna, junto deles - Garibaldi.

E na histórica Laguna o italiano conhece a moça de pele morena, com costumes caiçaras. Anita, assim ele o chamou, também sonhava com uma vida melhor para ela e para o povo. Juntos formaram uma dupla imbatível no amor e na guerra.

Anita partiu de sua terra natal para nunca mais voltar – Laguna, e percorrer o mundo junto de seu companheiro. A lagunense foi reverenciada em Gênova, onde a trataram como uma estadista.

Não viveu muito para desfrutar dos feitos, morreu aos 28 anos, em 4 de agosto de 1849, na Itália, num cômodo da fazenda da família Ravaglia, nos braços de seu amado, em Mandriole, Ravenna.

25 ANOS DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Em novembro de 1985 Laguna foi declarada Patrimônio Histórico Nacional, através da lei de Tombamento pelo IPHAN.

Formada por um conjunto de 600 edificações que remetem a arquitetura luso-brasileira, têm em sua gente, os traços dos açorianos que colonizaram o litoral sul do Brasil.

Todo viajante que aqui chega vai encontrar tudo que remete à vida de Anita, as ruas, as casas da vila, a antiga Rua da Praia, em frente às docas do Mercado Público, os monumentos, as praças e a Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos.

ROTEIRO DE ANITA GARIBALDI

Por onde o turista passar, encontra história em todas as ruelas do centro histórico de Laguna. Vamos percorrer os locais onde o passado remete a história do povo lagunense.

CASA DA RUA DO RINCÃO – Esta edificação de arquitetura luso-brasileira, localizada na antiga Rua do Rincão, foi a casa onde Anita viveu com seus pais, no início da adolescência. Em ruínas, esta edificação passará por restauro pelo Ministério da Cultura - IPHAN.

MUSEU CASA DE ANITA – A “Casa de Anita” como é conhecida, foi restaurada na década de 70 e transformada em relicário histórico. Ali, Anita se vestiu para o seu primeiro casamento. Em seu interior há uma urna com terra da sua sepultura, trazida das terras de Ravenna, Itália.

IGREJA MATRIZ SANTO ANTÔNIO DOS ANJOS – Substitui a antiga capela de pau-a- pique construída pelo fundador Domingos de Brito Peixoto, em 1696. Seus restos mortais estão enterrados na capela-mor.
Quando fundou a vila de Laguna, Brito Peixoto trouxe consigo uma pequena imagem do “santo casamenteiro” - Santo Antônio. Outra escultura foi esculpida na Bahia, feita em cedro, no século 18.

Muitas obras de arte adornam os altares da Igreja Matriz, como a famosa obra do pintor catarinense Victor Meirelles, (Imaculada Conceição - “La Madonna” - Roma: 1856). Foi na matriz que Anita se casou com “Manoel dos cachorros”.

MUSEU ANITA GARIBALDI – O prédio data de 1735, primeira edificação construída para a fundação da Vila. No século 18, passou a ser a Casa da Câmara e Cadeia. Nesta edificação foi proclamada a República Catarinense, em 1839. A partir de 1949, o casarão passou a ser um museu.

MONUMENTO DE ANITA GARIBALDI – Este importante monumento foi construído em homenagem à heroína, na década de 40, por um artista de Lages (SC), em comemoração ao aniversário de morte (4 de agosto de 1849) da lagunense. Ele está localizado na praça República Juliana, ao lado do Museu Anita Garibaldi, centro histórico.

HISTÓRIA, PAISAGEM E RELIGIOSIDADE

As festas religiosas de Laguna vieram com os portugueses e açorianos, que trouxeram consigo a fé e os rituais do Catolicismo.

Umas das mais importantes festas religiosas é a de Nossa Senhora dos Navegantes, comemorada dia 2 de fevereiro, feriado municipal, comemorado na paróquia do Bairro Magalhães. São 7 dias de festa, celebrados com missas, atividades culturais, serviço de barraquinhas e a procissão marítima, pela lagoa Santo Antônio dos Anjos.

Em julho, temos a festa do padroeiro de Laguna, dia 13 de junho, Santo Antônio dos Anjos, feriado municipal. São 13 dias de comemorações, com trezenas, procissões, show pirotécnico, atraindo centenas de visitantes e fiéis. Os festejos são organizados pela paróquia de Santo Antônio dos Anjos, no centro histórico.

Outra festa popular é a do Divino Espírito Santo, comemorada em outubro, com missas, apresentações culturais e o desfile da Corte, com o imperador e a imperatriz. A festa é organizada pela paróquia do Bairro Magalhães.

Fotos Históricas

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