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cultura
Cultura que envolve a pesca com o boto ganha reforço com certificado catarinense

Publicado em 10/06/2018 às 10:41 - Atualizado em 12/06/2018 às 13:11

João Bertolino (centro) acompanhado do amigo pescador e representante da Fundação Catarinense de Cultura
Créditos: Taís Sutero/Decom Baixar Imagem

Com sorriso maroto João Bertolino, 65 anos, estava entusiasmado cercado de tanta gente querendo bater foto com ele. A pescaria nem tinha rendido. “O vento não ajudou”, dizia o lagunense nativo. O motivo de tanto assédio ? Ele carregava orgulhoso o certificado de registro da pesca artesanal com auxílio dos botos como patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina.

 

A solenidade foi realizada neste sábado, dia 9. Bertolino e seus companheiros da Pastoral da Pesca estavam na primeira fila quando o historiador da Fundação Catarinense de Cultura, Rodrigo Rosa, relatou o documento narrando a interação do boto com o pescador, atividade única, carregada de orgulho pelos pescadores e transmitida pela experiência oral entre as famílias, seus descendentes e amigos.

 

Primeiro registro encontrado foi uma carta do marechal Vieira da Rosa, de 1905, o militar passou pela região e descreveu o convívio do homem com o boto.

 

O certificado foi entregue pelo governador do Estado Eduardo Pinho Moreira. “Eu cresci acompanhando de perto essa atividade e é uma alegria saber que ela irá se consolidar como mais um atrativo que vem se juntar a tantas outras belezas e vocações de Laguna”, comemorou o governador.

O documento de Laguna será o número um do Registro dos Saberes Catarinense, um espaço dedicado dentro da Fundação Catarinense da Cultura para o patrimônio imaterial do Estado. 

O presidente da Fundação Lagunense de Cultura, Márcio José Rodrigues Filho, enfatizou do trabalho em conjunto que começou há 7 anos para a conquista do certificado.  “Estou feliz, até emocionado. Passo muito importante para a preservação da cultura, que envolve a pesca artesanal com auxílio do boto”, descreveu ao mencionar as belezas de Laguna e o pôr do sol acontecendo no mesmo instante que encerrava suas palavras.

 

O prefeito Mauro Candemil ressaltou a importância da pesca para o turismo e economia do município.

 

 

Integra a cultura do boto, a gastronomia, linguagem coloquial, paisagem, barco, tarrafas, redes de pesca, pois são as manifestações populares lagunenses, agora estão preservadas através do certificado, que deverá contribuir com a legislação que protege a especíe.

 

A pesca com auxílio dos botos, pode ser apreciada no canal dos Molhes da Barra e outros pontos da lagoa Santo Antônio.

 

A intenção agora é promover cada vez mais a preservação do patrimônio cultural e do meio ambiente de forma inseparável, visando a manutenção e perpetuação da pesca com auxílio de botos, como uma tradição em Laguna.

 

“A  gente quer é que nossos botos não morrem. Espero que isso ajuda. O que será de nós ?”, desabafou o pescador Bertolino, morador da comunidade pesqueira Ponta das Pedras, que já estava preparado para voltar para a lagoa Santo Antônio dos Anjos, atrás de peixe.

 

 

O início

 

Em julho de 2016, foram lançados o documentário e o livro Educar, documentar e valorizar para preservar – Pesca Artesanal com auxílio dos Botos em Laguna. O projeto foi realizado pela Fundação Lagunense de Cultura, com recursos do Programa Nacional de Patrimônio Imaterial (PNPI) do Ministério da Cultura. Após o lançamento do livro, os pescadores solicitaram ao Iphan orientações sobre o Registro e sobre as políticas para o Patrimônio Imaterial.

 

 

Botos na universidade

 

A Udesc, tem dentro do curso de Engenharia de Pesca, projeto que estuda a especíe, coordenado pelo professor Pedro Volkmer de Castilho. O município de Laguna, possui um complexo lagunar que é conhecido mundialmente por ser habitat de uma pequena população, cerca de 50-60 indivíduos, da espécie Tursiops truncatus, conhecido popularmente como boto-da-tainha.

 

Esta população, caracterizada por ser extremamente residente, possui um comportamento peculiar, a pesca cooperativa com os pescadores artesanais da região, onde parcela da população de botos, 23 a 27 indivíduos auxiliam os pescadores encurralando o cardume de peixes e indicando por meio de uma sequência de sinais, o momento exato de jogar a rede, aumentando as chances de sucesso da atividade. Esta atividade de pesca, tornou-se patrimônio da cidade de Laguna através da lei municipal N° 521, de 1997.

 

Apesar da extrema importância não só ecológica, mas também socioeconômica, a população de Tursiops t. da região, sofre uma série de ameaças, os botos trafegam num canal de navegação, também tem a captura em redes de pesca, perda de habitat e doenças causadas por exposição a contaminantes.

 

Botos e os sons

 

A paisagem Sonora da Pesca Cooperativa na cidade de Laguna está sendo pesquisada, parceria da organização não-governamental Instituto Boto Flipper, com o Laboratório de Acústica e Meio Ambiente da USP. O trabalho vai contribuir com conhecer melhor a rotina do boto e seu comportamento.

 

Botos e as leis

 

- Está tramitando na Câmara de Vereadores de Laguna, o projeto de lei Nº 033/18 do poder executivo, que dispõe sobre a proteção da população de Tursiops Truncatus (Boto Pescador), através da proibição de tipos de artes de pesca consideradas nocivas a espécie.

- No dia 25 de maio, é lembrado como o Dia Estadual da Preservação do Boto Pescador. A data comemorativa estadual foi instituída pela Lei 17.084, de 12 de janeiro de 2017, a partir de um projeto de autoria do deputado José Milton Scheffer. O objetivo é promover ações de conscientização sobre a importância da preservação da espécie para o desenvolvimento cultural e econômico da região. O projeto de lei foi sugerido por alunos da Escola de Educação Básica Ana Gondin, de Laguna, participantes de 21ª edição do Parlamento Jovem catarinense.

- A cidade do litoral catarinense detém o título de “Capital Nacional dos Botos Pescadores” (Lei 13.818/2016) por desenvolver a pesca cooperativa da tainha com o golfinho da espécie Tursiops truncatus. Os botos, em um movimento sincronizado, cercam o cardume, o pescador aproveita e lança a tarrafa ao mar. Apesar de ser avistado em todo o litoral brasileiro, só na região do Canal da Barra, nos Molhes, o boto apresenta esse comportamento.

- De acordo com a lei 521/97, o boto é considerado patrimônio natural da cidade, o que promove o poder de proteger o animal, proibindo atividades que possam causar danos à espécie.

 

Edição e texto: jornalista Taís Sutero SC1796

 

 


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